Mostrando postagens com marcador economia política sociedade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador economia política sociedade. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Confira dicas de 11 dos maiores investidores de ações do mundo

Segundo grandes nomes do mercado de ações, investir em renda variável exige planejamento, paciência e dedicação. O portal Terra selecionou 18 dicas úteis de onze dos maiores investidores do mundo para começar e terminar bem seus negócios na bolsa de valores. Confira a seguir:

1 Peter Lynch, consultor na Fidelity Investments

- Ações "quentes" podem subir rapidamente (...), mas uma vez que não há nada além de esperança e ar sustentando-as lá em cima, elas caem com a mesma velocidade. (Retirado do livro One up on Wall Street: how to use what you already know to make money in the market, de Peter Lynch e John Rothchild (editora Simon & Schuster, 2000)

- Independente do método que você usar para escolher ações, seu sucesso ou fracasso definitivos vão depender de sua habilidade para ignorar as preocupações do mundo por tempo suficiente para permitir que seus investimentos vinguem. Não é a cabeça, e sim o estômago, que determina o destino do investidor de ações. (Extraído do livro Beating the Street, de Peter Lynch e John Rothchild (editora Simon & Schuster, 2000)

2- Edward Lampert, presidente da Sears

- Antecipar-se é o segredo para investir e fazer negócios. Você não pode esperar uma oportunidade se tornar óbvia para o mercado para então investir nela. (Em entrevista à série "O melhor conselho que já recebi" da revista Fortune)

3- Warren Buffett, presidente da financeira Berkshire Hathaway

- Não é preciso fazer coisas extraordinárias para obter resultados extraordinários. Para realmente enriquecer, você não precisa tentar ficar rico da noite para o dia. (Retirado do livro The Tao of Warren Buffett: Warren Buffett's words of wisdom, de Mary Buffett e David Clark (editora Simon and Schuster, 2006)

- É preciso encarar as ações como pequenos pedaços de negócios. (Retirado de Warren Buffett speaks: wit and wisdom from the world's greatest investor, de Buffett e Janet Lowe (editora John Wiley and Sons, 2007)

- Veja a oscilação do mercado como um amigo, não um inimigo - lucre com essa loucura, ao invés de participar dela. (Retirado de Warren Buffett speaks: wit and wisdom from the world's greatest investor, de Buffett e Janet Lowe (editora John Wiley and Sons, 2007)

- Você deve investir assim como os católicos se casam - para toda a vida. (Retirado do livro The Tao of Warren Buffett: Warren Buffett's words of wisdom, de Mary Buffett e David Clark (editora Simon and Schuster, 2006)

4- Jack Bogle, fundador do Vanguard Group

- Marche no seu próprio ritmo, busque o ideal, concentre-se no objetivo que têm às mãos. (...) Se você tiver um grande palpite, faça-o. (Em entrevista ao The Philly Inquirer)

5- Carl Icahn, dono da Icahn Partners e de cassino em Las Vegas

- Eu ganho todos esses bilhões de dólares porque existem muitas empresas com problemas que podem ser facilmente resolvidos. (Em entrevista à coluna "Money Talks", de Steven Bertoni, na revista Forbes)

6- T. Boone Pickens, presidente da BP Capital Management

- Aprenda a analisar bem os riscos dos ativos e expectativa de ganhos, porque nada substitui uma boa investigação. (Retirado de seu site oficial)

- Mire os objetivos, não o tamanho da empresa. Você não consegue medir a capacidade de um lugar pelo seu tamanho, a não ser um estádio de futebol. (Retirado de seu site oficial)

7- Kirk Kerkorian, dono da Tracinda e MGM Mirage

- Sempre deixe portas abertas. É tolerável perder quase tudo o que você tem, contanto que consiga novamente arrecadar dinheiro para outro projeto. (Las Vegas Review-Journal)

8- Bill Miller, presidente da Legg Mason Capital Management

- Nos mercados, todos tendem a perceber as mesmas coisas, ler os mesmos jornais e consultar as mesmas fontes de informação. A única maneira de chegar a uma solução diferente é organizar dados de outra forma ou analisar fatos que não são geralmente analisados. (Retirado do site oficial de sua empresa)

9- George Soros, presidente da Soros Fund Management e do Open Society Institute

- O que importa não é se você está certo ou errado, mas sim quanto dinheiro você ganha quando está certo e quanto você perde quando está errado. (Trecho do livro Soros: the world's most influential investor, de Robert Slater (editora McGraw Hill, 2009)

- Eu cometo tantos erros quanto qualquer um. Mas acho que me destaco por reconhecer meus erros. E esse é o segredo do meu sucesso. (Do livro Soros: the world's most influential investor, de Robert Slater (editora McGraw Hill, 2009)

- Invista antes e investigue depois. (Do livro Soros: the world's most influential investor, de Robert Slater (editora McGraw Hill, 2009)

10- Donald Trump, investidor imobiliário, dono da Trump World Tower, em Nova York

- A experiência me ensinou algumas coisas. A primeira é seguir seu instinto, não importa o quanto algum projeto pareça excelente no papel. A segunda é que você será quase sempre melhor se ater-se ao que conhece. E a terceira é que, às vezes, seus melhores investimentos são aqueles que você não faz. (Entrevista à New York Magazine, em 1987)

11- Jim Rogers, criador do Quantum Fund, com George Soros

- Não comece a investir antes de poder afirmar com toda a certeza que você conhece mais a fundo essa empresa que 98% dos analistas de Wall Street. Acredite em mim, isso pode ser feito. Mas só com um esforço adicional. (Retirado do livro A gift to my children: a father's lessons for life and investing, de Jim Rogers)

Em 10 anos, valorização das ações da Vale foi três vezes a da Petrobras

De 2001 a 2011, rentabilidade dos papéis foi de 834%.
Levantamento é da consultoria Economatica.



A valorização das ações ordinárias, com direito a voto, da mineradora Vale foi de cerca de 834%, descontada a inflação, nos últimos dez anos - de 30 de junho de 2001, data em que o atual presidente da companhia, Roger Agnelli, assumiu o cargo, até segunda-feira, 4 de abril, quando Murilo Ferreira foi indicado para ocupar a presidência, a partir de 22 de maio. O novo nome foi indicado pelos acionistas controladores da Valepar e ainda terá de ser aprovado pelo Conselho de Administração da Vale.

O levantamento sobre a evolução dos papeis da companhia foi feito pela consultoria Economatica, a pedido do G1.

Quando comparada a rentabilidade dos papeis da mineradora com a das ações da gigante estatal Petrobras, a valorização, nesse período, foi praticamente o triplo. Enquanto as ações da Vale valorizaram 834%, as da Petrobras chegaram a 250%. Comportamento semelhante é observado nas ações preferenciais, sem direito a voto. Nos dez anos em análise, enquanto as ações da Vale valorizaram 765%, as da Petrobras avançaram 257%. No mesmo período, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), viu sua rentabilidade variar 155,5%. A Vale contabiliza, neste ano, 47 mil acionistas.

Quanto à evolução do valor de mercado das duas empresas, o da Vale foi de R$ 20,32 bilhões, em 30 de junho de 2001, para R$ 270,69 bilhões atualmente, considerando dados desta útlima segunda-feira. Já o valor da Petrobras foi de R$ 62,545 bilhões para R$ 404,387 bilhões no período, de acordo com levantamento da consultoria.

Hoje, de acordo com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), o valor de mercado da Vale em 2010 é superior à economia de países vizinhos como o Peru. No ano anterior, o Produto Interno Bruto (PIB) do país somou US$ 153,54 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 247 bilhões.

Lucro
No ano passado, a Vale atingiu lucro líquido de US$ 17,3 bilhões – resultado superior ao registrado em 2001, de US$ 1,3 bilhão, quando Agnelli assumiu a mineradora. O lucro anunciado pela companhia foi o segundo maior registrado por uma empresa de capital aberto brasileira, segundo levantamento da Economatica, divulgado na época, feito com base nas informações apresentadas a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em primeiro lugar, aparecia a Petrobras que, em 2008, teve lucro de R$ 32,98 bilhões.

Troca de comando
A indicação de Ferreira surpreendeu o mercado. O nome mais cotado era o de Tito Martins, que comanda a Vale no Canadá - onde substituiu o próprio Murilo Ferreira em 2008.

A campanha pela saída de Roger Agnelli da presidência da Vale, cargo que o executivo ocupa desde 2001, começou ainda em 2008, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, quando, durante a crise econômica, a Vale demitiu quase 2 mil trabalhadores, medida que irritou o governo. Até aquele momento, o presidente e Agnelli mantinham uma relação próxima.

Em 2009, Lula criticou a Vale, defendendo que a empresa precisava exportar mais valor agregado, não apenas minério de ferro.

Embora a Vale tenha sido privatizada em 1997, o governo exerce influência na companhia por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e de fundos de pensão de empresas estatais liderados pela Previ (dos funcionários do Banco do Brasil), que são acionistas da mineradora. Junto com a Bradespar (empresa de participações ligada ao Bradesco) e da trading japonesa Mitsui, eles controlam a Vale.

O mercado teme que haja interferência política na Vale que, sob o comando de Roger Agnelli, chegou à posição de segunda maior mineradora do mundo e maior exportadora brasileira. Em 2010, a empresa registrou lucro de R$ 30,1 bilhões, “o maior da história da mineração”, segundo a companhia.

A preocupação é que a mineradora possa orientar suas ações mais para atender aos objetivos do governo, prejudicando os acionistas.

O executivo
Murilo Ferreira tem 58 anos e é graduado em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV-SP), com pós-graduação em Administração e Finanças pela FGV do Rio de Janeiro e especialização em M&A pela IMD Business School, em Lausanne, na Suíça.
O executivo tem mais de 30 anos de experiência no setor de mineração, tendo ingressado na Vale em 1998 como Diretor da Vale do Rio Doce Alumínio - Aluvale, atuando em diversos cargos executivos até sua saída em 2008, quando atuava como presidente da Vale Inco (atual Vale Canadá) e Diretor Executivo de Níquel e Comercialização de Metais Base da Vale, quando foi substituído por Tito Martins.

A indicação depende da aprovação do Conselho de Administração da Vale. Se aprovada, Ferreira assume o posto de diretor presidente a partir do dia 22 de maio, após o fim do mandato de Agnelli.

A Valepar é a principal acionista da Vale, com 53,5% das ações ordinárias (com direito a voto) da mineradora. A Litel, formada pelos fundos de pensão, tem, por sua vez, 49% da Valepar. A Bradespar, comandada pelo Bradesco, tem outros 21,21%; enquanto o Mitsui e o BNDESpar têm, respectivamente, 18,24% e 11,51% da controladora da Vale.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Tropa de Elite

[1] Ontem vi o tão falado Tropa de Elite. Dado o meu “vasto” conhecimento sobre cinema, me restringirei aos seguintes comentários: o filme é bom, não gosto daqueles movimentos de câmera alucinantes e próximos dos personagens como na cena do tiroteio no baile funk, e Chuck Norris é uma bichinha perto do Capitão Nascimento. Em relação ao filme propriamente dito é só... O que eu queria comentar melhor, sob uma ótica liberal, é sobre os BOPES do Brasil e mundo afora e a tal guerra que eles dizem travar.

[2] Antes uma pequena divagação teórica. Suponha que A tenha propriedade sobre X e B invada essa propriedade. A então teria uma reclamação legitima contra B (reclamação cujo mínimo é a devolução ou reparação da propriedade invadida). A tem direito a ele próprio executar essa reclamação ou pode passar para que terceiros assim o façam (aliás, essa proposição é a base da idéia de governo como um contrato criado para garantir os direitos dos seus “contratantes”). Para simplificar, imagine que A mesmo vá atrás de B para reaver suas propriedades ou executar sua reclamação legitima (como dizem por ai, A fará justiça com as próprias mãos). Coloquemos um terceiro individuo C. C não tem nada a ver com A e nem com B, a não ser pelo fato de saber onde B se encontra. Pode A invadir alguma propriedade de C para obter tal informação? A só pode perseguir B porque B violou sua propriedade. C, um não invasor, não tem absolutamente nenhuma reclamação a ser paga para A, e portanto não pode ser alvo de reclamação alguma deste. Logo a caçada de A não lhe dá direito algum de reclamar propriedades de C. Isso vale para qualquer tipo de “ajuda” que A venha a precisar de C.

[3] Mudemos o exemplo agora, suponha novamente que A tenha propriedade sobre X e B inicie uma invasão. O que A pode legitimamente fazer? Segue do fato de A ser proprietário de X que A tem o direito a manter X. Em um contexto de invasão, isso significa que A pode usar a força para parar a invasão de B (ou seja, se defender e manter X). Qual força? No momento da invasão aquela que é estritamente necessária para parar a invasão, afinal, o uso da força contra B só se torna legitima por se tratar da manutenção de X sob invasão, um exercício da propriedade sobre X. Quando o uso da força perde a função de parar a invasão, ela deixa de ser válida e passa a ser uma agressão aos direitos de B.

[4] Dentro do esquema acima voltemos para a questão do BOPE e da guerra contra as drogas. Para simplificar, comecemos do inicio “dos tempos”: um traficante de drogas será um sujeito que vende drogas para adultos e somente isso. Esse será o único crime, dentro da legislação atual, que ele estaria cometendo. A primeira questão a ser respondida é: o traficante de drogas invade a propriedade de alguém ao vender drogas? A resposta óbvia é não. Quem compra as drogas e as consome viola a propriedade de alguém? A resposta também é não, apesar de aqui muita gente não a achar tão óbvia, o que eu considero um erro. Dizem que um consumidor de drogas acabará roubando, matando para obter o dinheiro para a compra. É um argumento errado: o consumo em si das drogas não tem como conseqüência certa e inevitável o roubo ou assassinato de ninguém. O desejo por drogas certamente pode ser um motivo do roubo, mas um não é o mesmo que o outro e, além disso, as pessoas também roubam para comprar tênis Nike, comprar mansões, carros de luxo ou mesmo comida e ninguém defende a proibição da venda de nenhum desses bens com esse argumento.

[5] Dado que o traficante e o consumidor não invadem a propriedade de ninguém, estão apenas exercendo seus próprios direitos de propriedade, assim não há nenhuma reclamação legitima de terceiros sobre suas propriedades. Isso significa que o uso da força contra traficantes e consumidores de drogas (no caso através da policia), por venderem e consumirem drogas é um ato de agressão e, portanto ilegítimo. Se existe uma guerra contra a venda e consumo de drogas, como o filme diz, essa guerra é ilegítima. Isso nos leva a outro ponto: os traficantes e consumidores de drogas têm direito de se autodefenderem, eles seriam os “mocinhos” e não os bandidos, a guerra legitima seria a dos traficantes e consumidores de drogas contra o agressor, no caso a policia. No entanto aqui é necessária bastante calma na hora de transferir a conclusão para o que ocorre no “mundo real”: a autodefesa dos traficantes e dos consumidores não permite o uso da força contra terceiros que não praticam a agressão contra eles. É importante ressaltar isso porque os defensores da proibição das drogas e da truculência policial (para usar um termo suave) que o filme mostra adoram ressaltar que do outro lado o que temos são bandidos que matam e não “anjinhos”. Como eu disse no inicio, o que se está analisando é estritamente a questão da venda e consumo de drogas e isso não gera como conseqüência inevitável e certa assassinar ninguém. Os traficantes relatados no filme, como o Baiano, que matam e roubam, são tão criminosos quanto qualquer outro que roube e mate, mas é por esses atos que eles são criminosos, não por venderem drogas. A suposta guerra nobre que o BOPE trava contra as drogas (veja bem, contra as drogas!) é uma guerra ilegítima logo de inicio.

[6] Mas supondo que tal guerra contra as drogas seja legitima a segunda questão que surgiria, seria: direitos de terceiros, que não participam da venda ou compra podem ser violados? A resposta é claramente não. Peguemos a cena da tortura da namorada do Baiano. Ela se encaixa no exemplo do começo do texto sobre “extrair informação” invadindo a propriedade do possuidor da informação. A namorada do Baiano usa seu corpo da maneira que bem entender, inclusive mantendo a boca fechada e não dizendo nada. Os policiais não teriam direito algum em usar a força. Alguém pode apelar para a cumplicidade com o crime no caso, mas isso não procede: primeiro porque dado que a namorada do sujeito não participa diretamente da atividade agressora do marido, ela não cometeu agressão alguma contra ninguém. Segundo porque mesmo que valha a cumplicidade, ela é obrigada a pagar pela cumplicidade, não ser agredida por não revelar qualquer outra coisa.

[7] Outra característica da policia mostrada no filme, bastante defendida, e que tem a ver com a questão da violação de direitos de terceiros, é o famoso “atirar antes de perguntar”. Em todos os exemplos teóricos do começo do texto partimos do pressuposto que, segundo algum critério de provas, a invasão de propriedade tenha acontecido e demonstrada. Mas e quando A, por exemplo, não sabe quem invadiu sua propriedade. Pode ele atirar antes de perguntar? A resposta é não. Sem entrar em considerações sobre a intensidade da força usada na invasão inicial e a intensidade usada no revide, A tem uma reclamação legitima contra o suposto invasor, mas para alguém se tornar de fato o invasor é necessário provar que esse alguém é o invasor. Se, sem demonstrar (através de um procedimento de provas considerado “correto”) que B é o invasor, A usar a força contra B isso se torna uma agressão simplesmente porque B não é um invasor. Isso pode parecer estranho porque nós, na posição de “sobre-humanos” desenhando exemplos, vendo tudo que ocorre, sabemos que B é ou não culpado porque nós determinamos isso. Mas no mundo real, sem pessoas oniscientes, o que define a culpa ou não de B é um determinado procedimento de comprovação. Suponha que no nosso mundo teórico, A use a força contra B por supor que ele é culpado pela invasão quando ele (B) é, de fato, culpado e B sabe que A não tem conhecimento de sua culpa. B então entra com um processo contra A. Como A se “livraria”? Provando que B era de fato o invasor. Mas e se ele não conseguir provar? Seu ato então será considerado uma agressão e A acabará sendo alvo de uma reclamação legitima de B. Nessa posição, seria a solução mais vantajosa para A só usar a força contra B quando provasse a culpa de B. Mas poderia acontecer de A usar antes de provar e acabar acertando (no nosso exemplo ele acertaria). Do ponto de vista liberal, eticamente qual norma seria superior? Sair por ai atirando e perguntando depois e caso errasse receber a punição adequada e se acertasse tudo bem ou ser proibido o “atirar e perguntar depois”? Antes, é importante lembrar que muita gente que defende o atirar e perguntar depois se esquece da parte do punir o cara que erra. São vitimas de guerra! E guerra é guerra!

[8] Voltando a pergunta, uma resposta mais completa exigiria um outro texto, mas com um exemplo simples podemos chegar a uma conclusão: A ética liberal considera o direito de propriedade absoluto. Antiético e injusto é invadir esses direitos. A tem propriedade sobre RS100. Vamos supor que B venha e tome os R$100 de A, mas no final da tarde volte e devolva os R$100 + juros. A situação com a devolução de B equivale eticamente à situação inicial sem roubo? Muitos responderiam que sim. Mas imagine que constantemente isso ocorra: B chega lá, leva embora os R$100 diários e depois devolve um valor especificado em lei. Que espécie de direito de propriedade seria esse onde o proprietário pode ser agredido dessa forma só porque no final da tarde o ladrão volta e “devolve o que roubou”? Onde fica a própria definição de propriedade (total controle e disposição sobre o bem)? Dada essas considerações a resposta é não, não se equivalem eticamente afinal o direito de propriedade de A sobre os R$100 foi violado e não se tem como “voltar” ou apagar tal violação: naquele instante, A não queria liberar os R$100 e foi agredido. Voltando então ao nosso problema: atirar antes de perguntar e depois (obviamente supondo que o sujeito não morra, para simplificar), compensar isso de alguma forma é equivalente eticamente a não atirar? Pelos mesmos problemas gerados no caso dos R$100 – relativização ou mesmo contradição com a própria definição de direitos de propriedade, a resposta é não. Eticamente a proposição de que não vale atirar antes e depois perguntar é superior a de atirar e depois perguntar se é culpado e compensar caso erre. Importante lembrar duas coisas: primeiro, a norma analisada é a “atirar antes de perguntar” e compensar caso erre. É claro que o atirar antes de perguntar e não compensar caso erre é eticamente inferior as duas que foram focadas. E segundo, ignorei o problema da veracidade da confissão de culpa de alguém que é perguntado depois de levar um tiro e ser ameaçado de levar mais.

[9] Com a questão do “atirar e perguntar depois” e da tortura que tratam da violação de direitos de terceiro encerro o texto. A polícia do filme, aplaudida por muitos, tortura e em termos liberais acredito que a tortura seja inaceitável. A polícia do filme atira antes de perguntar, invade casas e essas coisas, também acredito, são inaceitáveis. Os defensores da policia do filme argumentam que isso é uma guerra, e na guerra vale tudo. Mas para inicio de conversa, essa guerra não é legitima, é uma guerra injusta. E mesmo se fosse uma guerra justa, não, isso não justificaria nenhuma violação de direitos de terceiro porque se ocorresse deixaria de ser uma guerra justa. Infelizmente não é só a policia do filme que se comporta dessa maneira. Quem não se lembra, por exemplo, do massacre realizado nos subúrbios em São Paulo quando ocorreu a rebelião do PCC. E infelizmente não é só o desrespeito de direitos cometidos pela policia do filme que possui defensores. E para piorar muitos desses defensores se dizem liberais.

fonte: http://depositode.blogspot.com/2007/10/ontem-fui-ver-o-to-falado-tropa-de.html

Radiohead, Caridade e Liberalismo

A banda inglesa Radiohead anunciou que irá vender seu novo disco de uma forma, digamos, pouco convencional. Quem estiver interessado no novo trabalho deverá entrar no site da banda e baixar à vontade as músicas. Logo em seguida o internauta será “convidado” a pagar pelos downloads o valor que desejar (incluindo zero!).

Não sei se a iniciativa dará certo ou errado em termos de lucratividade, mas causou uma verdadeira comoção entre aqueles que bradam pelo fim das grandes gravadoras, contra a cultura como mercadoria e outras coisas do tipo. Alguns socialistas/comunistas tomaram a atitude como uma espécie de bandeira a ser seguida, uma forma de revolta “anticapitalista”, anti-mercado. Visão parecida também ocorre em relação a cooperativas, caridade, ONGs e “trabalhos voluntários”. Todos esses arranjos e comportamentos são vistos, em menor ou maior grau, dependendo do socialista em questão, como anti-mercado, anticapitalista. Nunca se sabe muito bem o que um socialista quer dizer por “capitalista”; são tantas as definições, cada um usa uma... capitalismo acabou se tornando a palavra que representa “aquilo que é ruim”, assim como burguês para os marxistas ou neoliberal para a dita esquerda nacional.

Se tais comportamentos e arranjos podem ser considerados anticapitalistas por alguma definição bem restrita que se use por aí, certamente essas ações não são antiliberais e nem anti-mercado. Dado que o Radiohead tem direito de propriedade sobre sua produção ou pelo menos em relação à distribuição comercial (através de copyright, por exemplo), eles podem vender músicas ao preço que bem entenderem, até zero ou, como fizeram, aceitar qualquer valor que os consumidores ofereçam. É um uso legitimo de suas propriedades. Como se pode perceber o mesmo vale para cooperativas, ONGs, trabalhos voluntários. Se um grupo de cinco trabalhadores resolve, com seus ativos, fundar uma empresa onde os cinco são donos e colocam como regra que cada novo admitido também passa a ser dono, está apenas fazendo o uso considerado mais adequado de suas propriedades. Nada pode ser dito de um ponto de vista liberal contra tal ação. No entanto, geralmente, cooperativas são vistas como “iniciativa socialista”. O mesmo ocorre com a questão da caridade e de uma suposta obrigação moral do rico ajudar o pobre. A versão mais famosa desse erro é a já conhecida tese de que “Jesus Cristo seria o primeiro socialista”, muito defendida por socialistas cristãos da teologia da libertação. O erro fundamental é o mesmo: caridade é um ato voluntário, um uso adequado, do ponto de vista do proprietário, dos seus bens.

Tanto o erro de classificação no caso da venda exótica do Radiohead quanto os erros em relação a cooperativas, caridade seriam inofensivos se eles não levassem a uma conseqüência nefasta: a de se tratar como igualmente legítimos atos voluntários e atos coercitivos que visam o mesmo fim. Ato de caridade passa a ser equiparável eticamente a distribuição de renda realizada pelo governo. Ter acesso a discos de graça porque o ofertante assim quis passa a ser equivalente a obrigar outros a financiarem acesso a discos de graça. Construir cooperativas se torna igual a estatizar ou desapropriar fabricas para criação de cooperativas. Se os primeiros são legítimos, os segundos também passam a ser porque visam o mesmo fim. Nada mais errado. A ilegitimidade das ações estatais distributivas, das regulações de mercado que tanto agradam os socialistas não está no fim que pretendem, está no meio usado: a coerção, a invasão de propriedade. Imaginem que, por exemplo, o dono da GM tenha um surto de “bondade” e decida pagar aos seus funcionários um salário muito maior que o de mercado. Aumentar salário de operário é uma bandeira geralmente associada aos socialistas, mas um liberal teria algum motivo ético para reprovar o surto de bondade do dono da GM? A resposta é não. O dono da GM faz com seus bens o que bem entender e isso inclui fazer “caridade” para quem ele quiser. Algo completamente diferente é obrigar a GM a pagar maiores salários aos seus funcionários. As duas coisas levam ao mesmo resultado (pelo menos aparentemente), mas só o primeiro modo é condizente com princípios liberais porque não viola direito de propriedade algum.

A iniciativa do Radiohead apesar de agradar os “anti-mercadistas”, anticapitalistas, não tem nada de conflitante com os princípios que esse mesmo pessoal repudia nos seus ataques ao mercado e ao capitalismo. É tão somente o exercício do odiado direito de propriedade, base do sistema de mercado alvo predileto das criticas. No entanto a defesa da tese de que seria uma “rebelião anti-mercado” como muitos socialistas disseram ou apoiaram acaba contribuindo para a confusão ética que gera legitimidade para muitas ações de governos que se fossem mais bem analisadas seriam consideradas extremamente antiéticas. O exemplo clássico, como já foi dito, é a questão da caridade. Se caridade é algo bom e nobre, a distribuição estatal de renda também é. Essa transferência perversa de legitimidade é a principal conseqüência do erro envolvendo a classificação como anti-mercado da venda exótica do Radiohead. Seria igualmente legitimo o consumidor obter discos à preço zero porque os ofertantes por livre e espontânea vontade dão esses discos (ou seja, dentro dos princípios de mercado) ou porque alguém obriga outros a financiar discos à preço zero (princípios anti-mercado). Se obter discos à preço zero (discos aqui servindo como um termo para algo mais genérico como cultura) é uma bandeira socialista, não é a mesma coisa chegar a isso porque os produtores de tais bens assim o querem ou chegar à isso através da coerção. O liberal apóia o primeiro, mas repudia o segundo. O primeiro (como foi o caso do Radiohead) está completamente dentro dos mesmos princípios que originam e mantém os mercados, o segundo não. Isso ainda desconsiderando a hipótese de que tudo isso não passa de uma jogada de marketing para conquistar o apoio, digo, dinheiro, dos fãs que na sua maioria são “politizados” e entusiastas de práticas como essa. Se esse for o caso, bem, nem as gigantescas e malvadas gravadoras tiveram tão maquiavélica idéia.

fonte: http://depositode.blogspot.com/2007/10/radiohead-caridade-e-liberalismo.html

2 comentários:
Thomas H. Kang disse...
Os socialistas, não sendo liberais, podem perfeitamente adotar uma ética conseqüencialista na qual apenas o que de fato se realiza importa na avaliação ética. Portanto, se por meio de caridade (que é voluntária) ou redistribuição de propriedade, atinge-se o mesmo fim, não há nenhum problema na ótica de quem pensa assim.

Mas aí temos visões éticas diferentes. Pelo jeito, tu defendes que a tua visão é um princípio ético universal (nada mais kantiano...)

o problema do libertarianismo (perdão pelo neologismo) é aquilo que sempre falo, ele negligencia as conseqüências. Mesmo que tu afirme que adotar os princípios libertários seja conseqüencialmente benéfico, na hora de julgar um estado de coisas em que no limite tu tenha que escolher entre o princípio ou a conseqüência, tu vais ficar com o princípio. Tal limite é bem exemplificado nas piadas que se fazem em torno do imperativo categórico kantiano por exemplo. Como dizem os biógrafos de Kant, a doutrina moral dele tem relação forte com a moral pietista por ele herdada. Falo mais de Kant porque conheço um pouquinho mais (isso que não conheço nada de coisa alguma em filosofia na real).

abs

quinta-feira, 10 de março de 2011

Um em quatro aprovados desiste da USP

Dos 10.652 nomes que constavam na primeira chamada da Fuvest (vestibular da USP) neste ano, 2.562 não se apresentaram para a matrícula, informa a reportagem de Laura Capriglione e Fábio Takahashi publicada na edição desta quinta-feira da Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL)

Veja a lista por curso
Sonho de cursar universidade pública está mais amplo

O resultado dessa espécie de evasão instantânea é que nunca foi tão gorda a lista da segunda chamada. Em 2005, de 9.567 aprovados na Fuvest, 1.243 desistiram da USP na primeira chamada --dava 13% do total.

Cursinhos, reitoria da USP e MEC atribuem o fenômeno à multiplicação de vagas nas universidades federais, ao Sisu (Sistema de Seleção Unificada) --pelo qual um estudante pode disputar vagas em várias universidades públicas pelo Enem--, ao ProUni e ao Fies (financiamento estudantil do governo federal).

A Fuvest já divulgou a terceira lista de aprovados, na expectativa de preencher 1.113 vagas ainda sem dono.

Leia a reportagem completa na Folha desta quinta-feira, que já está nas bancas.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Dilma - balanço 2

PT rumo ao centro; e oposição na UTI

publicada sexta-feira, 25/02/2011 às 10:43 e atualizada sexta-feira, 25/02/2011 às 10:13
por Rodrigo Vianna (do blog Escrevinhador)

Dias atrás, escrevi um modesto balanço, centrado nas ações econômicas de Dilma nos primeiros dias de governo. Clique aqui para ler Dilma – balanço 1.
Agora, faço um balanço político.
Os sinais evidentes emitidos por Dilma são de um governo que ruma para o centro. Isso já estava desenhado desde a campanha eleitoral de 2010. Lula havia feito movimento semelhante, ao escolher José Alencar para vice e ao lançar a “Carta aos Brasileiros”, em 2002. Mas o movimento de Lula rumo à centro-esquerda não tinha nitidez institucional. Ele se aproximou de personagens avulsos no mundo empresarial (além de Alencar, Gerdau e Diniz), e não fechou aliança formal com PMDB, mas apenas com pequenos partidos conservadores: PL (depois PR), PTB e PP. Fora isso, Lula manteve-se firme (fora da cartilha liberal) na relação com movimentos sociais e na política internacional – além de ter adotado ações econômicas keynesianas (para irritação dos economistas e colunistas atucanados) no segundo mandato.
O movimento de Dilma é mais claro, mais institucional. Michel Temer na vice. PMDB na aliança formal. Isso tudo já estava desenhado. O início de governo aprofundou esse movimento. Ao adotar, agora, prática econômica apoiada pelos liberais, Dilma capturou a simpatia (real? duradoura?) de setores da mídia que estiveram fechados com Serra durante a campanha. Faz o mesmo em relação à política internacional (menos “terceiro-mundista” do que Lula, como comemora a “Folha” em editorial nessa sexta-feira). E já há sinais de que o governo pode abandonar a proximidade estratégica que mantinha com movimentos como o MST (sinais que vêm de dentro do INCRA, por exemplo – a conferir).
É um movimento claro: Lula já ocupara a esquerda e a centro-esquerda; agora, o projeto petista expande-se alguns graus mais – rumo ao centro!
Isso sufoca a direita e a oposição. E aí chegamos a outro ponto importante. Não é à toa que Kassab movimenta-se para romper com o demo-tucanismo e aderir ao lulismo. Kassab sente-se sufocado e percebe que pode perder suas bases conservadoras para o lulismo. O melhor, talvez, seja juntar-se a esse impressionante movimento político (o lulo-petismo) que – nascido na esquerda - capturou a centro-esquerda e agora se expande rumo ao centro.
Vejam o tamanho da hecatombe vivida pela oposição. Katia Abreu, a chefe ruralista, deve seguir os passos de Kassab, rompendo com o condomínio PSDB/DEM. Katia deu entrevista à “Folha”, avisando: “a oposição está na UTI”. Kassab vai levar com ele quase duas dezenas de deputados federais do DEM, 3 ou 4 do PPS e mais alguns tucanos desgarrados. A oposição vai minguar. Essa gente toda deve-se acomodar num “novo” partido, mas o projeto final é terminar no PSB de Eduardo Campos (partido que desde 1989 integra a base lulista).
Esse movimento de ocupação do centro pelo lulismo é fruto, também, dos erros de Serra durante a campanha de 2010. Muita gente avalia que a votação expressiva (de 44 milhões de votos no segundo turno) signficou uma meia-derrota para o paulista da Mooca. Do ponto de vista numérico e eleitoral, isso é verdade. Mas a derrota política de Serra foi acachapante.
Vejamos. Serra abriu mão de defender o programa liberal e privatizante do PSDB, e escondeu o ex-presidente FHC. Depois, tentou-se mostrar como o “verdadeiro” herdeiro de Lula, ajudando assim a legitimar o lulismo. Na reta final, de forma errática, aderiu a um discurso conservador amalucado, trazendo temas morais como aborto para o centro do debate (pra isso, apoiou-se nas tropas de choque monarquistas, na turma da TFP e da Opus Dei).
Serra fez, portanto, um duplo tuiste carpado rumo ao precipício: primeiro, legitimou o lulismo; depois, afundou-se rumo à direita. Achou que podia ganhar assim. E, de fato, ficou perto de ganhar (dados os erros da campanha pouco politizada de Dilma). Mas, no fim, a “meia derrota” eleitoral significou “derrota e meia” política.
Restou a Serra (e a parte do tucanismo) brigar para liderar a direita no Brasil. Aécio quer o PSDB no centro. E Kassab quer ser, ele mesmo, o novo centro.
Lula e Dilma sabem que é mais fácil enfrentar os tucanos desde que eles se mantenham na direita. Por isso, Dilma ocupa o centro. Certamente, com aval de Lula.
Nassif acaba de escrever um artigo excelente, tratando exatamente desse tema:
Primeiro, não há a menor possibilidade de apostar em um rompimento dela com Lula. Ambos são suficientemente maduros e espertos para não embarcarem nessa falsa competição.A sensação que passa é de uma estratégia combinada, na qual caberia a Lula manter a influência sobre movimentos populares, sindicalismo e PT; e a Dilma aproximar-se e desarmar os setores empresários e políticos mais refratários ao lulismo-dilmismo.
Do ponto de vista de estratégia política, conseguiram fechar o melhor dos mundos: o antilulismo está sendo carreado pela velha mídia para um pró-dilmismo, resultando um xeque- mate: se o governo Dilma for bem sucedido, ela é reeleita; se for mal sucedido, Lula volta.
Lula e Dilma jogam de tabelinha. Ele mantém apoio forte entre a “esquerda tradicional”, e também entre sindicalistas e movimentos sociais, além do povão deserdado que vê em Lula um novo “pai dos pobres”. Ela joga para a classe média urbana e pragmática que – em parte – preferiu Marina no primeiro turno.
Dilma, com essas ações, deixa muita gente confusa e irritada na esquerda. Mas reconheça-se: é estratégia inteligente.
Qual o risco disso tudo?
O risco é embaralhar a política e apagar as diferenças. Relembremos o que ocorreu no Chile, ao fim do governo Bachelet. Ela tinha claro compromisso com direitos humanos, com a civilidade e com os valores… Mas na política e na gestão da economia no dia-a-dia, o governo da “Concertación” (coalizão de centro-esquerda que governo o Chile desde a queda de Pinochet) assumiu o programa liberal da direita. Embaralhou-se tudo. Bachelet saiu do governo bem avaliada, mas não fez o sucessor (até porque o candidato dela, Frei, tinha imagem envelhecida e desgastada). Se não há mesmo diferença, pra que votar na “Concertación” de novo? Foi o que levou o eleitorado chileno a escolher Pinera – um megaempresário ligado à Opus Dei e a setores pinochetistas.
Pinera é um Berlusconi sem os arroubos sexuais do italiano. Paulo Henrique Amorim costuma dizer que, sem politização, a classe “C” de Lula vai eleger um Berlusconi em 2014. O Chile já fez isso: escolheu Pinera.
A tática de Dilma e Lula, de ocupar amplo espectro (da esquerda ao centro), parece inteligente. Mas ao embaralhar o jogo, permite que a direita faça 0 mesmo e caminhe para o centro. Desfeitas as fronteiras (Kassab no PSB seria o sinal derradeiro desse movimento), abre-se a incerteza no horizonte, rumo a 2014.
O petismo conta com Pelé no banco. Se o quadro ficar confuso, chama-se Lula. Arriscado. Mas esse parece ser o jogo. Gostemos ou não.
Leia outros textos de Palavra Minha
Dilma - balanço 2PT rumo ao centro; e oposição na UTI
publicada sexta-feira, 25/02/2011 às 10:43 e atualizada sexta-feira, 25/02/2011 às 10:13
por Rodrigo Vianna (do blog Escrevinhador)Dias atrás, escrevi um modesto balanço, centrado nas ações econômicas de Dilma nos primeiros dias de governo. Clique aqui para ler Dilma – balanço 1.
Agora, faço um balanço político.
Os sinais evidentes emitidos por Dilma são de um governo que ruma para o centro. Isso já estava desenhado desde a campanha eleitoral de 2010. Lula havia feito movimento semelhante, ao escolher José Alencar para vice e ao lançar a “Carta aos Brasileiros”, em 2002. Mas o movimento de Lula rumo à centro-esquerda não tinha nitidez institucional. Ele se aproximou de personagens avulsos no mundo empresarial (além de Alencar, Gerdau e Diniz), e não fechou aliança formal com PMDB, mas apenas com pequenos partidos conservadores: PL (depois PR), PTB e PP. Fora isso, Lula manteve-se firme (fora da cartilha liberal) na relação com movimentos sociais e na política internacional – além de ter adotado ações econômicas keynesianas (para irritação dos economistas e colunistas atucanados) no segundo mandato.
O movimento de Dilma é mais claro, mais institucional. Michel Temer na vice. PMDB na aliança formal. Isso tudo já estava desenhado. O início de governo aprofundou esse movimento. Ao adotar, agora, prática econômica apoiada pelos liberais, Dilma capturou a simpatia (real? duradoura?) de setores da mídia que estiveram fechados com Serra durante a campanha. Faz o mesmo em relação à política internacional (menos “terceiro-mundista” do que Lula, como comemora a “Folha” em editorial nessa sexta-feira). E já há sinais de que o governo pode abandonar a proximidade estratégica que mantinha com movimentos como o MST (sinais que vêm de dentro do INCRA, por exemplo – a conferir).
É um movimento claro: Lula já ocupara a esquerda e a centro-esquerda; agora, o projeto petista expande-se alguns graus mais – rumo ao centro!
Isso sufoca a direita e a oposição. E aí chegamos a outro ponto importante. Não é à toa que Kassab movimenta-se para romper com o demo-tucanismo e aderir ao lulismo. Kassab sente-se sufocado e percebe que pode perder suas bases conservadoras para o lulismo. O melhor, talvez, seja juntar-se a esse impressionante movimento político (o lulo-petismo) que – nascido na esquerda - capturou a centro-esquerda e agora se expande rumo ao centro.
Vejam o tamanho da hecatombe vivida pela oposição. Katia Abreu, a chefe ruralista, deve seguir os passos de Kassab, rompendo com o condomínio PSDB/DEM. Katia deu entrevista à “Folha”, avisando: “a oposição está na UTI”. Kassab vai levar com ele quase duas dezenas de deputados federais do DEM, 3 ou 4 do PPS e mais alguns tucanos desgarrados. A oposição vai minguar. Essa gente toda deve-se acomodar num “novo” partido, mas o projeto final é terminar no PSB de Eduardo Campos (partido que desde 1989 integra a base lulista).
Esse movimento de ocupação do centro pelo lulismo é fruto, também, dos erros de Serra durante a campanha de 2010. Muita gente avalia que a votação expressiva (de 44 milhões de votos no segundo turno) signficou uma meia-derrota para o paulista da Mooca. Do ponto de vista numérico e eleitoral, isso é verdade. Mas a derrota política de Serra foi acachapante.
Vejamos. Serra abriu mão de defender o programa liberal e privatizante do PSDB, e escondeu o ex-presidente FHC. Depois, tentou-se mostrar como o “verdadeiro” herdeiro de Lula, ajudando assim a legitimar o lulismo. Na reta final, de forma errática, aderiu a um discurso conservador amalucado, trazendo temas morais como aborto para o centro do debate (pra isso, apoiou-se nas tropas de choque monarquistas, na turma da TFP e da Opus Dei).
Serra fez, portanto, um duplo tuiste carpado rumo ao precipício: primeiro, legitimou o lulismo; depois, afundou-se rumo à direita. Achou que podia ganhar assim. E, de fato, ficou perto de ganhar (dados os erros da campanha pouco politizada de Dilma). Mas, no fim, a “meia derrota” eleitoral significou “derrota e meia” política.
Restou a Serra (e a parte do tucanismo) brigar para liderar a direita no Brasil. Aécio quer o PSDB no centro. E Kassab quer ser, ele mesmo, o novo centro.
Lula e Dilma sabem que é mais fácil enfrentar os tucanos desde que eles se mantenham na direita. Por isso, Dilma ocupa o centro. Certamente, com aval de Lula.
Nassif acaba de escrever um artigo excelente, tratando exatamente desse tema:
Primeiro, não há a menor possibilidade de apostar em um rompimento dela com Lula. Ambos são suficientemente maduros e espertos para não embarcarem nessa falsa competição.A sensação que passa é de uma estratégia combinada, na qual caberia a Lula manter a influência sobre movimentos populares, sindicalismo e PT; e a Dilma aproximar-se e desarmar os setores empresários e políticos mais refratários ao lulismo-dilmismo.
Do ponto de vista de estratégia política, conseguiram fechar o melhor dos mundos: o antilulismo está sendo carreado pela velha mídia para um pró-dilmismo, resultando um xeque- mate: se o governo Dilma for bem sucedido, ela é reeleita; se for mal sucedido, Lula volta.
Lula e Dilma jogam de tabelinha. Ele mantém apoio forte entre a “esquerda tradicional”, e também entre sindicalistas e movimentos sociais, além do povão deserdado que vê em Lula um novo “pai dos pobres”. Ela joga para a classe média urbana e pragmática que – em parte – preferiu Marina no primeiro turno.
Dilma, com essas ações, deixa muita gente confusa e irritada na esquerda. Mas reconheça-se: é estratégia inteligente.
Qual o risco disso tudo?
O risco é embaralhar a política e apagar as diferenças. Relembremos o que ocorreu no Chile, ao fim do governo Bachelet. Ela tinha claro compromisso com direitos humanos, com a civilidade e com os valores… Mas na política e na gestão da economia no dia-a-dia, o governo da “Concertación” (coalizão de centro-esquerda que governo o Chile desde a queda de Pinochet) assumiu o programa liberal da direita. Embaralhou-se tudo. Bachelet saiu do governo bem avaliada, mas não fez o sucessor (até porque o candidato dela, Frei, tinha imagem envelhecida e desgastada). Se não há mesmo diferença, pra que votar na “Concertación” de novo? Foi o que levou o eleitorado chileno a escolher Pinera – um megaempresário ligado à Opus Dei e a setores pinochetistas.
Pinera é um Berlusconi sem os arroubos sexuais do italiano. Paulo Henrique Amorim costuma dizer que, sem politização, a classe “C” de Lula vai eleger um Berlusconi em 2014. O Chile já fez isso: escolheu Pinera.
A tática de Dilma e Lula, de ocupar amplo espectro (da esquerda ao centro), parece inteligente. Mas ao embaralhar o jogo, permite que a direita faça 0 mesmo e caminhe para o centro. Desfeitas as fronteiras (Kassab no PSB seria o sinal derradeiro desse movimento), abre-se a incerteza no horizonte, rumo a 2014.
O petismo conta com Pelé no banco. Se o quadro ficar confuso, chama-se Lula. Arriscado. Mas esse parece ser o jogo. Gostemos ou não.
Leia outros textos de Palavra Minha

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Como fazer seu dinheiro render no curto prazo

Saiba como investir para se preparar para formatura, casamento, viagem, abrir um negócio, comprar a casa própria ou o carro novo

Thaís Helena Santos, de 27 anos, vai casar em dezembro de 2011. Ela já tem o dinheiro da festa e do vestido e agora procura uma aplicação financeira. O seu objetivo é deixar o capital render, sem correr o risco de perder o que já acumulou. Em situações assim, em que os recursos serão aplicados para o resgate no curto prazo, a sugestão de especialistas é esquecer a bolsa de valores e buscar modalidades de renda fixa, que têm menor risco.

Sugestões de aplicações para quem vai:
• Pagar a festa de casamento
• Viajar para o exterior
• Comprar um carro novo
• Dar entrada na casa própria
• Pagar a festa de formatura
• Abrir um novo negócio

Dependendo do valor em mãos e da quantidade de meses até o dia de usar o dinheiro, as recomendações variam, mas não muito. Para quem pretende dar entrada em uma casa própria, comprar um carro ou pagar uma pós-graduação, por exemplo, as aplicações mais sugeridas pelos especialistas são duas modalidades de renda fixa, os títulos do Tesouro Direto e o CDB DI (Certificado de Depósito Bancário indexado ao Depósito Interbancário), que são títulos vendidos por bancos, em que o rendimento do dinheiro acompanha a taxa básica de juros brasileira, a Selic.

"Para não frustrar qualquer objetivo de curto prazo, a aplicação financeira tem que ser de renda fixa, porque se der um problema no caminho, a renda variável pode fazer com que ele perca o que tinha", diz o consultor financeiro Mauro Calil, autor do livro "A Receita do Bolo".

Modalidades de renda variável, como as ações de empresas em bolsa de valores, são arriscadas para pequenos períodos, diz Calil. "As ações não são recomendadas de jeito nenhum quando se tem um objetivo para o dinheiro. Caso ocorra uma crise financeira, por exemplo, o poupador pode ver seu dinheiro sumir de uma hora para outra e pode não ter tempo para recuperar tudo até o dia em que vai precisar do capital", acrescenta Wilson Pires, professor de Finanças da Fundação Educacional Inaciana (FEI).

Dentro do universo da renda fixa - que inclui também a poupança - os especialistas indicam o CDB DI e o Tesouro Direto por apostarem em alta ou manutenção do juro no curto prazo. Apesar de a presidenta Dilma Roussef ter declarado que pretende baixar o juro real no País (que é a Selic com o desconto da inflação), a opinião dos consultores, professores e profissionais do mercado consultados pelo iG é de que a taxa seguirá alta.

"Eu acho que a Selic vai subir. Pela primeira vez em muitos anos, temos inflação de demanda [quando a forte procura por bens e serviços leva as empresas a subirem os preços]", diz Ricardo Humberto Rocha, professor do Insper e do Laboratório de Finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA). Segundo ele, para controlar essa inflação, o principal instrumentos da equipe econômica do governo é o aumento do juro.

Assim, se a Selic subir, o rendimento do CDB DI também aumenta. Isso acontece porque essa modalidade de aplicação nada mais é do que um título que representa uma dívida o banco para com o investidor, cujo prêmio pago pela instituição tem como referência a taxa básica brasileira. Na hora de adquirir o título, o investidor negocia com a instituição bancária a porcentagem que vai receber do rendimento da aplicação. Quanto mais dinheiro e maior o prazo disponível, maior o poder de barganha do cliente. "Caso tenha R$ 60 mil ou mais, se ele pesquisar em vários bancos, pode conseguir até 102% do retorno", diz Rocha.

Veja também:
Tesouro Direto é opção para quem tem mais de R$ 150
Perspectivas para os investimentos em 2011
Veja como são os bastidores do Tesouro Direto
Para casar sem ir à falência
Investindo com prazer: conheça os "passion investments"
Saiba escolher a corretora para aplicar na Bolsa
Como planejar a aposentadoria

A recomendação de títulos do Tesouro Nacional segue a mesma linha de raciocínio do CDB DI. Flávio Lemos, coordenador da Trader Brasil Escola de Investidores, sugere as LFT (Letras Financeiras do Tesouro) e NTN-B (Nota do Tesouro Nacional de série B). A rentabilidade do primeiro tipo varia de acordo com a Selic, equanto o retorno das NTN-B depende da inflação.

"Eu aconselharia o investidor a comprar as LFT, que é um título sem risco, posfixado, e que vai acompanhar o juro", diz Lemos. Uma vantagem dessa aplicação em relação ao CDB DI é que o investidor adquire o título diretamente do governo - via instituições autorizadas - e não precisa pagar taxas cobradas pelos bancos. Por outro lado, o CDB traz comodidade para quem já é cliente de uma instituição bancária, pois basta fazer a transferência do dinheiro que está na conta para a aplicação.

As NTN-B estão entre as melhores opções na opinião de Lemos porque funcionam como uma proteção. Como o investidor tem o objetivo de adquirir bens ou serviços, que podem ficar mais caros durante o período em que o dinheiro será aplicado, a modalidade vai acompanhar eventuais aumentos de preços.

Nos dois casos sugeridos - CDB DI e Tesouro Direto - o imposto de renda (IR) pago pelo investidor acompanha a tabela regressiva de renda fixa. Se o resgate for feito em até seis meses, a taxa será de 22,5%. Caso a retirada seja nos meses seguintes, em até um ano, o rendimento terá um desconto de 20%. A poupança, que é isenta de IR, vale a pena quando o valor aplicado é pequeno, como no caso em que o investidor possui R$ 5 mil e pretende usar o dinheiro no fim do ano para pagar uma festa de formatura e uma viagem, por exemplo.

Com a ajuda de consultores financeiros, o iG selecionou modalidades de investimentos mais apropriadas para seis situações: pagar a festa de casamento no fim do ano, comprar um carro novo ou fazer uma viagem ao exterior em seis meses, abrir um negócio no início do ano que vem, dar entrada em uma casa própria ou pagar a festa de formatura. Em cada uma delas, o poupador começa com uma quantia de dinheiro. Em todos os casos, o objetivo é de curto prazo.

links:http://economia.ig.com.br/financas/investimentos/como+fazer+seu+dinheiro+render+no+curto+prazo/n1237958290658.html

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O sonho cada vez mais próximo • Casa Própria

Especial Casa Própria traz dicas para quem planeja adquirir um imóvel

Numa economia com inflação relativamente estável e crescimento econômico acelerado, os financiamentos imobiliários explodiram nos últimos tempos. Para se ter uma idéia,a estimativa é de que o volume de recursos voltados ao crédito imobiliário contratados na Caixa Econômica Federal, o maior ofertante do País, tenha alcançado a cifra de R$ 70 bilhões em 2010, segundo a presidente da instituição, Maria Fernanda Coelho. Se confirmado, esse valor representará um aumento de 42,8% em comparação a 2009, quando foram contratados R$ 49 bilhões em crédito imobiliário.

Mas, embora muitos brasileiros tenham conquistado sua casa própria, o déficit habitacional está longe de ser eliminado. Calcula-se que o saldo negativo alcance 5,6 milhões de unidades habitacionais.
Quem já adquiriu a sua sabe que, no percurso, abriu mão de desejos para alcançar seu acalentado sonho.

Para quem pensa em fazer parte desta condição de proprietário de imóvel ou esteja pensando em adquirir um segundo bem, tanto para lazer ou como investimento, o iG preparou um especial sobre Casa Própria com informações para a contratação de um financiamento imobiliário, o uso do FGTS, a atenção na hora de selecionar um imóvel e as documentações exigidas, entre outras dicas para evitar sustos e não ter seu sonho frustrado.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Filme explica a motivação dos pichadores

Conhecido como Choque, o fotógrafo Adriano dedica-se a registrar o universo da pichação em São Paulo. É um dos maiores especialistas no assunto e, não por acaso, são seus os melhores depoimentos ao longo de “Pixo”, o documentário dos irmãos João Wainer e Roberto T. Oliveira, exibido pela primeira vez neste domingo, na Mostra de Cinema de São Paulo, com a presença de vários protagonistas do filme.

Choque explica que são três as motivações dos pichadores que escalam prédios e arriscam a vida para deixar suas assinaturas em locais de visibilidade na cidade: o prazer da aventura, o reconhecimento social e o protesto.

O primeiro ponto iguala pichação a esporte radical – a aventura de fazer algo proibido, escalar um prédio pelo lado de fora, como documenta “Pixo”, aterrorizante para quem olha do chão, seria equivalente, em termos de adrenalina liberada, a saltar de asa delta do alto de um morro, ou surfar uma onde gigantesca.

Em segundo lugar, quanto mais difícil o lugar pichado – o último andar de um prédio no centro de São Paulo, um trem em movimento ou a parede da Bienal de São Paulo –, maior o reconhecimento e valor do pichador entre os seus pares. Como mostra claramente “Pixo”, eles formam uma comunidade nada invisível, que se reúne em locais conhecidos para troca de experiências e informações.

Por último, a questão mais importante: a pichação é uma forma de expressão dessa comunidade, formada basicamente por jovens de baixa renda da periferia de São Paulo. Colocar o seu nome de guerra, a sua marca, nos muros do centro da cidade, é a maneira de dizer que existem. Para nós, eles apenas sujam a cidade; para eles, a pichação é a forma de se fazer ouvir.

Mal vistos e isolados, os pichadores paulistanos conseguiram atrair ainda mais antipatia para a causa em 2008, ao atacarem, em três momentos diferentes, a galeria Choque Cultural, o prédio da Bienal e o Centro Universitário Belas Artes. Nas três ocasiões, grupos de pichadores invadiram os espaços e aplicaram tinta sobre trabalhos alheios e danificaram o ambiente.

Indefensáveis, porque afetaram realizações artísticas alheias, além de violarem a legislação, tais ataques são mal explicados por “Pixo”. O ataque à galeria Choque Cultural, por exemplo, explicita uma questão que aparece em diferentes momentos do documentário, mas nunca é esclarecida – a rivalidade entre pichadores e grafiteiros.

Reconhecido socialmente como uma forma de arte, o grafite tem alguma semelhança com a pichação. Grafiteiros são, em sua maioria, pessoas de origem social mais humilde, da periferia, que escolheram pintar em espaços públicos. O que era uma violação legal – desenhar num muro – passou, com o tempo, a ser entendido como uma forma de arte, e muitos grafiteiros hoje são reconhecidos como artistas talentosos.

Diferentes grafiteiros – brasileiros e estrangeiros – hoje expõem seus desenhos em galerias de arte e museus. Os irmãos Gustavo e Otavio Pandolfo, OsGemeos, são apenas os mais conhecidos brasileiros num time que tem vários representantes. Alvo dos ataques dos pichadores, a galeria Choque Cultural, não por acaso, é um espaço que exibe trabalhos de grafiteiros.

Diferentemente do trabalho dos “rivais”, as expressões dos pichadores não são reconhecidas como forma de arte – o que pode ajudar a explicar os ataques de 2008 e também as referências irônicas feitas ao longo de “Pixo” à turma do grafite. O filme, porém, evita afrontar abertamente esta questão.

O documentário de Wainer e Oliveira dá vida aos pichadores, humaniza-os, expõe as suas motivações. Apenas por isso, já é um filme de referência para qualquer discussão mais aprofundada que se pretenda sobre o assunto. “Pixo” também evita qualquer julgamento moral sobre os seus personagens – outra qualidade, na minha opinião, já que não precisamos ir ao cinema para ouvir uma condenação aos pichadores.

Ainda há três sessões programadas de “Pixo. Sábado (31), às 20h50, na Matilha Cultural; terça-feira (3/11), às 18h40, no Unibanco Artplex; e quarta-feira (4), àsd 21h15, no Cine Bombril. Mais informações, no site da Mostra.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Análise do currículo: profissional acima de 30 anos

Documento deve ter frases curtas e ser mais claro e objetivo

Maria Carolina Nomura

O currículo de um internauta de 34 anos que busca uma colocação na área de comercial foi o escolhido para ser analisado por um consultor de carreiras e um profissional de departamento de recursos humanos a pedido do iG Empregos.
Maria de Lurdes Lanzana, gerente de desenvolvimento humano da Serasa Experian, diz que o documento deve conter as principais informações da vida profissional e acadêmica da forma mais clara e objetiva possível.
“Frases muito longas ficam cansativas para serem lidas e podem acabar perdendo o foco inicial”, complementa Elenise dos Santos Martins, consultora de planejamento de carreira da Ricardo Xavier Recursos Humanos.

Currículo enviado pelo internauta

Veja a análise do currículo feita pelas duas especialistas:
• A idade não precisa ser evidenciada.
• A área de atuação precisa estar em destaque no currículo, em letra maior e logo abaixo dos dados pessoais do profissional. Dessa forma, o recrutador visualiza rapidamente o objetivo do candidato.
• A informação sobre remuneração ou pretensão salarial é desnecessária, pois, além da descrição "a combinar" não trazer a informação, esse aspecto é abordado pelo entrevistador no contato telefônico ou mesmo na entrevista.
• O objetivo deve ser mais focado e com maior destaque. Não se deve colocar mais de duas áreas. • As qualificações devem ser dispostas por atividade e por projetos mais relevantes, e distribuídas por empresa. Nunca num único texto.
• Os nomes das empresas precisam aparecer logo após o resumo de qualificações, para que a experiência do profissional possa ser valorizada e também para destacar os cargos pelos quais já passou.
• No item “Outros Cursos”, deve-se colocar somente os que têm afinidade com o objetivo definido no inicio do currículo. Não é necessário colocar a data e local de realização dos cursos, esta informação agrega pouco. Deve ser o último item do currículo.
• Os conhecimentos em informática e idiomas devem estar descritos em tópicos separados.
• Não há necessidade de mencionar, no título “Experiência Profissional”, quantas empresas estão listadas, nem o nome do responsável na empresa.
Mande seu currículo - Se você quer ter o currículo analisado por especialistas em carreiras, mande o documento para canal_empregos@ig.com.br. A sua identidade será preservada.
Em virtude do grande número de currículos recebidos, nem todos são analisados. O iG Empregos procura selecionar currículos cuja análise possa servir de exemplo também a outros profissionais.

http://empregos.ig.com.br/curriculos/noticias/2009/09/08/analise+do+curriculo+profissional+acima+de+30+anos+8325952.html

sábado, 12 de setembro de 2009

PAI - escolhi uma ótima moça para você casar.

FILHO - Mas, pai, eu prefiro escolher a minha mulher.

PAI - Meu filho, ela é filha do Bill Gates…

FILHO - Bem, neste caso, eu aceito.

Então, o pai negociador vai encontrar o Bill Gates.

PAI - Bill, eu tenho o marido para a sua filha!

BILL GATES - Mas a minha filha é muito jovem para casar!

PAI - Mas este jovem é vice-presidente do Banco Mundial…

BILL GATES - Neste caso, tudo bem.

Finalmente, o pai negociador vai ao Presidente do Banco Mundial.

PAI - Senhor Presidente, eu tenho um jovem recomendado para ser vice-presidente do Banco Mundial.

PRES. BANCO MUNDIAL - Mas eu já tenho muitos vice-presidentes, mais do que o necessário.

PAI - Mas, senhor, este jovem é genro do Bill Gates.

PRES. BANCO MUNDIAL - Neste caso ele pode começar amanhã mesmo!

domingo, 6 de setembro de 2009

O mundo é medíocre. Não Há engano possível quanto a isso. Mas, nesse caso, teria o mundo sido medíocre desde o começo? Não. No começo, havia apenas o caos. E o caos não é medíocre. O processo de "mediocrização" teve início a partir do momento em que a humanidade estabeleceu distinção entre cotidiano e meios de produção. E Karl Marx assentou a mediocridade ao instituir o proletariado. E, por isso mesmo, stalinismo tem ligação direta com marxismo. Eu concordo com Marx. Ele é uma das poucas genialidades que têm consciência do caos primordial. Concordo, nesse mesmo sentido, com Dostoiévski. Mas não aprovo o marxismo. Aquilo é medíocre demais"do estranho homem - setembro de 1978

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

10 ações para a retomada da bolsa



Os papéis que prometem ser os destaques da Bovespa nos próximos 12 meses, na opinião das 35 principais instituições financeiras e consultorias do mercado

É difícil encontrar algum investidor ou analista de mercado que não tenha se surpreendido com o desempenho da bolsa brasileira neste ano. Quase 50 ações, entre as mais negociadas do pregão, dobraram de preço desde janeiro -- o Índice Bovespa valorizou 50% nesse período. Após a alta, alguns papéis ficaram caros e deixaram de ser boas alternativas. Outros, embora tenham subido bastante, continuam promissores. Para ajudar o investidor a selecionar boas alternativas no mercado, EXAME fez dois levantamentos. Primeiro, perguntou a 35 profissionais das principais corretoras, gestoras de recursos e consultorias financeiras do país quais papéis eles recomendam para os próximos 12 meses. Depois, cruzou essas indicações com uma lista das ações mais baratas da Bovespa, feita pela consultoria financeira Economática com base em indicadores que medem a relação entre o lucro das empresas e o preço de suas ações na bolsa.

De forma geral, os setores que estão no topo do ranking dos especialistas são os de commodities (como mineração, petróleo e siderurgia) e consumo interno (como varejo e alimentos). "São dois segmentos em que as empresas brasileiras têm claras vantagens competitivas", diz Young Kim, chefe de investimentos no Brasil da gestora coreana Mirae, que tem 30 bilhões de dólares investidos nas bolsas de países emergentes. Como ocorre com qualquer aplicação em bolsa, todas as ações indicadas nesta reportagem têm riscos, que estão explicados nas tabelas ao lado. Mudanças de cenário econômico ou de regulação podem fazer uma ação hoje vista como interessante se tornar um mico. Por isso, o conselho dos especialistas é acompanhar de perto o portfólio e fazer mudanças sempre que necessário.

http://portalexame.abril.uol.com.br/

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Vantagem de Serra vai de 13 pontos no Nordeste a 40 em SP

A menor diferença entre o tucano José Serra e a petista Dilma Rousseff, de acordo com a nova pesquisa Datafolha, ocorre entre os eleitores dos Estados das regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste.

Kennedy Alencar: Pesquisa preocupa Serra e Dilma
Marina Silva faz "retiro" para decidir sobre PV
Josias: "Oposição não tem discurso", diz Lula

Em compensação, no Estado de São Paulo, governado por Serra, o levantamento aponta ampla vantagem do pré-candidato do PSDB a presidente.

No Nordeste, onde Serra fez diversas incursões recentemente, ele tem 31% das intenções de voto contra 18% de Dilma --13 pontos de diferença, a mesma vantagem que tem nas regiões Norte/Centro-Oeste.

Em suas análises eleitorais, a direção petista avalia que Dilma tem potencial para encostar em Serra e até superá-lo no Nordeste, onde Lula foi bem na eleição de 2006 --teve 77% dos votos válidos no segundo turno contra o então candidato do PSDB, Geraldo Alckmin.

Mas o próprio PT reconhece que a situação dela é preocupante em São Paulo e irá incrementar sua agenda no Estado.

Serra tem 51% das intenções contra apenas 11% da petista entre os paulistas. Ciro Gomes (PSB), que também cogita concorrer ao governo de São Paulo, está empatado tecnicamente com Dilma. Ele alcança 12%.

Os tucanos avaliam que, se Serra abrir sobre Dilma uma diferença de 4 milhões de votos no Estado, ele amplia ainda mais sua chance de se tornar o próximo presidente. O cálculo leva em conta o fato de o governador ser bem conhecido nas demais regiões, pois já foi ministro da Saúde e disputou a eleição presidencial de 2002.

Reservadamente, os petistas paulistas compartilham o raciocínio, mas afirmam que Dilma está longe de seu teto em São Paulo. Na semana passada, a ministra participou de uma grande festa da militância do PT na capital do Estado.

Até o final do ano, a ministra deverá intensificar sua agenda entre os paulistas vistoriando obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Quando o candidato tucano é o governador mineiro Aécio Neves, o melhor desempenho do PSDB ocorre na região Sudeste, onde ele chega a atingir 31%. Mas, em São Paulo, Aécio empata com Dilma em 14% no principal cenário para ele. Ciro tem 24%.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

UOL lança simulador de investimento na Bolsa

O UOL lançou nesta quinta-feira, em parceria com a BM&FBovespa (Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros), o simulador de investimentos no mercado de ações UOL Invest.

O produto permite que os internautas simulem a compra e venda de ações, montando sua carteira exatamente como se estivessem operando na Bovespa, com um crédito fictício inicial de R$ 200 mil. O participante tem acesso, ainda, a notícias sobre o mercado financeiro e às cotações dos papéis listados na Bolsa.

Conheça o simulador de investimento na Bolsa UOL Invest
BB passa Itaú Unibanco e volta a ser o maior banco do país
Bovespa tenta recuperação, diz "Financial Times"
Após 4 trimestres, França e Alemanha voltam a crescer

Para o diretor presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, trata-se de "um acontecimento de grande relevância para a formação de novos investidores".

"A internet é um poderoso instrumento para democratizar o acesso ao conhecimento dos mercados. Quanto maior a participação dos cidadãos na Bolsa, maior será a eficiência das companhias aqui listadas", afirmou Pinto.

A diretora de Conteúdo do UOL, Márion Strecker, vê a nova ferramenta como uma "confluência da informação e do entretenimento". "É extremamente lúdico, mas baseado em informações verdadeiras, o que faz com que as pessoas aprendam com facilidade", diz.

Novo público
"O mercado de ações vem crescendo e passou a atrair a atenção de um público cada vez mais heterogêneo. O UOL Invest foi lançado justamente para que esse público pudesse tomar contato com a realidade do mercado", conta Marcelo Epstejn, diretor-geral do UOL.

O UOL Invest foi desenvolvido sobre a plataforma do Folha Invest, da "Folha de S.Paulo". O objetivo da nova ferramenta é adaptar o produto aos padrões do UOL e "levar a um público maior, inclusive a quem hoje não tem familiaridade com o mercado de ações", afirma Rodrigo Flores, gerente geral de Notícias do UOL.

"Quem negocia ações regularmente vai encontrar lá todas as ferramentas que existem no mercado real. Quem nunca participou do mercado acionário terá a chance de aprender e tirar dúvidas", diz Flores. "O UOL Invest fortalece e consolida a liderança do UOL Economia em notícias financeiras no Brasil", acrescenta.

Prêmios
Os participantes do UOL Invest podem se inscrever gratuitamente e concorrerão a prêmios.

Dependendo do sucesso de seus investimentos no simulador, o internauta do UOL Invest pode ganhar um pacote turístico para um resort em território nacional com acompanhante, um notebook, curso relacionado ao mercado de ações e brindes como livros, camisetas e bonés.

http://economia.uol.com.br/

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Futebol da Série A invade o mercado financeiro

Primeiro simulador virtual de bolsa de valores que usa o futebol como opção de investimento, o Futex - Futebol Exchange (www.futex.com.br) foi criado por três empresários. No jogo, além de torcer pelo seu time do coração, os usuários aprendem tudo sobre o mercado financeiro de uma maneira mais simples e divertida.

» Veja a classificação atualizada» Confira a tabela completa» Receba os gols do seu time pelo celular

Os usuários do Futex podem comprar e vender ações das equipes que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro, acumulando "Dolex" (moeda virtual do jogo). O preço depende do mercado virtual, que, por sua vez, sempre estará alinhado com a fase do seu time na vida real.

"A ideia foi criar um jogo que usasse o futebol para desmistificar o mercado de capitais, que ainda não é muito popular no Brasil", disse Daniel Bitelli, um dos criadores do Futex, novo parceiro do Terra. "Quando as pessoas leem nos jornais tudo parece muito complicado, mas seu funcionamento é mais simples do que se imagina", completou um dos sócios, Felipe Lachowski.

"Ao iniciar o jogo, cada negociador recebe uma certa quantia de ações de times e outra quantia em 'Dolex'. O usuário pode comprar e vender livremente seus papéis, de acordo com o preço de mercado e com a quantia de 'Dolex' que tiver acumulado", explicou Fernando Gadelho, o terceiro sócio do Futex.

Os melhores jogadores virtuais de cada mês ganham camisetas oficiais de times, kits esportivos, Ipods e muitos outros prêmios.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Queniano oferece cabras para se casar com filha de Hillary

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, recebeu uma proposta inusitada durante sua visita oficial ao Quênia, na última terça-feira: um homem ofereceu 40 cabras e 20 vacas para poder se casar com sua filha, Chelsea. A proposta foi feita por Godwin Kipkemoi Chepkurgor, um vereador de 40 anos de idade da cidade de Nakuru.

Hillary foi informada da oferta por um jornalista durante uma coletiva de imprensa e reagiu de forma bem-humorada. "Minha filha é independente. Vou informá-la sobre esta gentil oferta", disse.

Esta não é a primeira vez que Chepkurgor tenta conquistar a mão de Chelsea, de 29 anos. Em 2000, ele escreveu uma carta a Bill Clinton, então presidente dos Estados Unidos, oferecendo as mesmas 40 cabras e 20 vacas para se casar com sua filha.

Segunda mulher
Em uma entrevista à BBC, Chepkurgor se mostrou contente com a resposta de Hillary. "Sinto-me muito bem por ela ter respondido - quase afirmativamente. Ela prometeu fazer a proposta à sua filha e eu estou esperando", disse.

Segundo Muliro Telewa, repórter da BBC em Nakuru, a quantidade de animais oferecida em troca da noiva é bastante generosa para os padrões quenianos. Caso Chelsea Clinton aceite a proposta, ela será a segunda mulher de Chepkurgor, que já é casado.

O queniano, no entanto, garante que sua mulher sabe de sua afeição por Chelsea e "não mostrou objeções" à proposta.